sábado, 9 de outubro de 2010

'Maldição' do ataque se torna principal problema da Era Adilson
Desde que assumiu o comando do Timão, técnico nunca teve todos os atacantes à disposição. Hoje, os três principais estão no estaleiro

Adilson Batista terá de quebrar muito a cabeça para escalar o ataque do Corinthians que vai enfrentar o Atlético-GO neste domingo, no Pacaembu. Desde que chegou ao clube, há 16 jogos, o técnico nunca teve todos os jogadores do setor à disposição. E agora, no momento mais delicado do Timão no campeonato, ele tem apenas duas opções - que devem começar jogando: Iarley e Souza. O setor é o que mais sofre com problemas desde o início do Brasileirão.

A "maldição" do ataque do Corinthians começa justamente pelo maior nome do clube: Ronaldo. Às voltas com uma lesão na panturrilha, ele atuou apenas três vezes no campeonato e fez dois gols - ambos de pênalti e contra o Atlético-PR. Em fase final de recuperação, a previsão é que o Fenômeno volte no próximo dia 17, quando o Timão enfrenta o Guarani. Adilson Batista ainda é cauteloso.

- A estrela do Ronaldo é muito grande. Daqui a pouco ele volta a jogar, entra em campo e nos ajuda. Os torcedores têm de ficar tranquilos – disse.

Além do camisa 9, os outros dois principais atacantes estão machucados. Dentinho já vinha com um problema na coxa esquerda que o deixou fora de 13 partidas. Depois de quase dois meses de tratamento, ele retornou contra o Atlético-MG e saiu ainda no primeiro tempo. Desta vez, a lesão foi na coxa direita.

Com Jorge Henrique, a falta de sorte pesou. Em um lance normal contra o Ceará, ele acabou empurrado por um jogador adversário e se chocou contra um microfone do lado de fora do campo. Resultado: ruptura no músculo posterior da coxa esquerda e retorno só em 2011.

O único que destoa é Iarley: sem lesões, o atacante de 36 anos participou de 24 dos 27 jogos do Corinthians no Brasileiro e fez oito gols. No entanto, ainda é visto com certa desconfiança pela torcida. As outras opções, William Morais e Souza, participaram pouco e podem ser acionados no jogo deste domingo.

- Todos os times estão passando por problemas de lesões. É assim mesmo. Mas nós vamos passar por cima de tudo isso e conquistar o título – falou Adilson Batista.

Dessa forma, o ataque acabou perdendo seu peso em importantes estatísticas, como finalizações, faltas cometidas e recebidas. Em matéria de chutes a gol, os campeões são o meia Bruno César (3,19 por jogo) e o lateral-esquerdo Roberto Carlos (2,22). No campeonato inteiro, a dupla só perde para o gremista Jonas, que tem média de 3,25 chutes a gol por partida. Não à toa, ele é o artilheiro do campeonato com 17 tentos. Bruno é o goleador corintiano, com 11.

Jorge Henrique e Iarley, que formaram a dupla de frente corintiana em boa parte do Brasileirão, somam, juntos, 2,60 arremates por jogo - bem menos do que Bruno César sozinho. Das 388 finalizações da equipe no Nacional, apenas 78 foram de atacantes. E o Timão é o time que mais chuta no torneio, com média de 14,37 finalizações por rodada.

Ao mesmo tempo em que chutam pouco, os atacantes têm feito muitas faltas quando tentam recompor a marcação, tão trabalhada por Adilson. Jorge e Iarley estão entre os cinco mais faltosos, ao lado dos volantes Elias, Ralf e Jucilei. Ambos estão na casa de 1,44 infração por partida.

Com tantos problemas de lesões e o momento delicado no campeonato, o Corinthians aguarda mais do que nunca pela volta de seu camisa 9. Pode até não estar em sua melhor forma, mas será um diferencial importante para o clube retomar a briga pelo título.

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